O crescimento da direita e extrema-direita no mundo

Atualmente a direita tem alcançado um novo impulso em todo mundo. Muitos especialistas creditam vários fatores como responsáveis pela nova ascensão da direita e da extrema direita em diversos países. Desde de crises econômicas a reação a imigração, passando pelo medo ao terrorismo.

Na Europa, partidos como Aurora Dourada (Grécia), NPD (Alemanha), Ukip (Reino Unido), Jobbik (Hungria), Frente Nacional (França), a Liga Norte (Itália), entre outros, reforçam discursos nacionalistas, anti-imigração, islamofóbico e eurocético, experimentando um crescimento sem precedentes desde dos anos 1930. 

Os maiores crescimentos são observados nos partidos de extrema-direita (ou PEDs). Até 2008, os PEDs cresceram de 1,36% para 6,98% dentro dos países da “Europa dos 15” (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Reino Unido e Suécia) e todo o período de existência da “nova extrema-direita”, que começa a surgir desde a década de 1980. (TOSTES, 2009) 

Outros partidos de direita mais moderada ou liberal também apresentam crescimento, apesar de ser menor e causar menos repercussão que o crescimento dos extremistas. Na Grécia, apesar do exponencial crescimento do Aurora Dourada, o partido ainda é bem menor que o partido governista de esquerda radical Syriza.


No Estudos Unidos é crescente a radicalização do setor mais extremista do partido Republicano. Analistas observam que a cada eleição o partido Republicano vem abandonando sua plataforma mais moderada para abraçar uma abordagem cada vez mais conservadora. Tal mudança pode ser explicada como uma resposta aos resultados eleitorais cada vez menores que vinham alcançando o partido até a eleição de George W. Bush. No entanto, tal radicalização começou a surgir desde a segunda metade do século XX.

Assim como os partidos de extrema-direita da Europa, com uma plataforma mais populistas, o partido Republicano busca angariar os votos dos eleitores brancos com um menor grau de educação e que se sentem os mais prejudicados com a globalização e a imigração. Eleitores que temem a perda de seus empregos e a escalada do terrorismo. Mais recentemente o magnata Donald Trump se sagrou campeão do pleito na eleição presidencial americana reproduzindo discursos de ódios contra latinos e islâmicos.

No Brasil, a direita veio crescendo como oposição ao período de governo do Partido do Trabalhadores e como alternativa política para as elites e classes medias urbanas insatisfeitas como a política social do governo. A direita brasileira encontrou um campo de crescimento ainda maior com as crises política e econômica surgidas a partir de 2014. As eleições de 2014 foi responsável por eleger um dos parlamentos mais conservadores da história do Brasil. Em 2010, os partidos conservadores ganharam 36,3% das cadeiras; em 2014, 43,5%. (CODATO et al., p. 115).